Mercado Cambial em 2022

O ambiente econômico atual e o projetado para este ano aponta para inflação ainda elevada, tanto no Brasil, como no resto do mundo. Zona euro teve inflação de 5% em dezembro. Nos Estados Unidos os índices operam em níveis acima do esperado. Desta maneira, a política monetária continuará sendo utilizada na direção do combate as altas de preços.Nesta linha aqui no Brasil os juros básicos saltaram de 2% ao ano (2020) para 9,25% ao ano na virada de 2021, tendo projeção para 11,5% para a virada deste ano. Já nos Estados Unidos, a última ata do Fomc (Comitê de Política Monetária americano) trouxe sinalização de alta de juros já em março e o fim dos estímulos monetários. Assim, o mercado terá a ração que deseja: juros mais altos.Diante deste cenário o comportamento dos agentes econômicos será de busca de proteção, devido a aversão a risco. Devemos ainda considerar que no caso brasileiro, há agravantes. O crescimento da economia para este ano será pífio, muito próximo de zero, há ainda a preocupação fiscal, a inflação continua no radar e é um ano de eleições presidenciais. Isso tudo com o crescimento do número de infectados pelo coronavírus. Por outro lado, a China terá um ambiente econômico mais favorável, à medida que ocorreram estímulos monetários recentemente, entre eles, a redução do nível de compulsório dos bancos, a liberação de crédito para empréstimos de longo prazo e corte nos juros básicos.Dentro de uma “normalidade”, levando em conta somente as variáveis econômicas, a cotação do dólar comercial de venda deve operar em torno dos R$ 5,60. Acontece que historicamente, e isso ocorreu em 2014, por exemplo, em ano de eleições o câmbio se torna mais volátil, principalmente a partir do segundo trimestre dos anos com eleições presidenciais, assim, sem considerar eventual agravamento da pandemia de coronavírus (neste caso o mercado pode reagir mais fortemente) é possível projetar um dólar de R$ 5,60 (virada do ano) com variações em momentos mais agudos (como colocado, a partir do segundo trimestre deste ano) na ordem de 5% para mais.Vale destacar que o calendário eleitoral trará impactos em cada momento das decisões partidárias. Em abril o movimento será pelas filiações partidárias. Em junho o mercado ficará de olho nas convenções partidárias. Em julho e agosto impacto com as inscrições dos candidatos e em setembro e outubro a coisa vai ferver com as campanhas e debates eleitorais. Volatilidade será a tônica do mercado.

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